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“Tudo Pode Mudar”, do Metrô: nasceu como lado B e virou a 2ª mais tocada do Brasil em 1985

A faixa ficou atrás só de "We Are the World" nas rádios brasileiras de 1985

“Tudo Pode Mudar” tocou tanto em 1985 que virou trilha sonora automática de qualquer festa dos anos 80. A música foi da banda Metrô, um dos maiores fenômenos do synthpop brasileiro daquela década. Ela ficou atrás só de “We Are the World” entre as mais tocadas nas rádios do Brasil naquele ano. Se você já cantarolou o refrão sem lembrar o nome da banda, essa é a faixa. E o mais curioso: ela nem devia ser a música principal do single.

Era só o lado B de outro single

O Metrô lançou “Tudo Pode Mudar” em 1985, dentro do álbum de estreia Olhar, pela gravadora Epic Records. A faixa entrou como lado B do single “Ti Ti Ti”, a música principal daquele lançamento. “Ti Ti Ti” até tinha um trunfo forte: virou tema de abertura de uma novela de mesmo nome. A novela ficou no ar entre 1985 e 1986. Mesmo assim, foi o lado B que ganhou vida própria nas rádios.

O Olhar emplacou outros sucessos além de “Tudo Pode Mudar”. “Beat Acelerado” já tinha sido o single de estreia da banda sob o nome Metrô, lançado em 1984. “Cenas Obscenas” contou com participação especial do guitarrista Léo Jaime. “Johnny Love”, primeira parceria de Joe Euthanazia com o Metrô, entrou na trilha sonora do filme Rock Estrela, de 1985.

Quem escreveu “Tudo Pode Mudar” foi o cantor gaúcho Joe Euthanazia, ao lado de Ronaldo Santos. Essa foi a segunda vez que Joe compôs pro Metrô, depois da parceria em “Johnny Love”. O álbum Olhar saiu produzido por Luiz Carlos Maluly. Foi o primeiro disco da banda sob o nome Metrô.

Dá o play e escuta a faixa que é sucesso há mais de 40 anos:

A 2ª música mais tocada do Brasil em 1985

“Tudo Pode Mudar” virou a segunda música mais tocada nas rádios brasileiras naquele ano. Só ficou atrás de “We Are the World”, o hino beneficente gravado por dezenas de astros americanos. Um vídeo pra “Tudo Pode Mudar” também saiu em 1985, dirigido por Eid Walesko. Foi um resultado e tanto pra uma faixa que nem devia carregar o single.

“We Are the World” tinha saído poucos meses antes, gravada por dezenas de estrelas americanas reunidas numa única noite de estúdio. A canção arrecadava fundos pra crise de fome na Etiópia e tocou sem parar nas rádios do mundo inteiro naquele ano. Ficar atrás só desse hino, numa parada de rádios brasileira, mostra o tamanho do fenômeno que “Tudo Pode Mudar” virou por aqui.

O Metrô fazia parte de uma onda de bandas brasileiras que adotou teclados e synthpop em peso, em meados dos anos 80. Grupos como RPM e Blitz surfavam a mesma onda, mirando um público mais jovem e ligado em rádio FM. Do outro lado do Atlântico, o synthpop vivia um momento parecido, com faixas como “Big in Japan”, do Alphaville. Esse som mais dançante ajudou “Tudo Pode Mudar” a circular tanto entre rádios de rock quanto entre as mais voltadas a hits pop. Foi um dos poucos casos em que um lado B ultrapassou o próprio single em alcance.

A letra fala de uma mulher esperando em casa por alguém que talvez não apareça. Ela liga a televisão só pra distrair a cabeça enquanto o relógio marca o tempo passando. A dúvida sobre se ele vai chegar ou não domina o refrão inteiro. É uma ansiedade simples, do tipo que qualquer pessoa já sentiu esperando alguém.

De A Gota Suspensa a fenômeno do synthpop

Antes de virar Metrô, a banda se chamava A Gota Suspensa, fundada em 1978. A formação reunia jovens franco-brasileiros que se conheceram no Liceu Pasteur, colégio francês de São Paulo. Em 1984, o grupo trocou de nome e adotou uma sonoridade mais pop, influenciada por Blondie, Rita Lee e Roxy Music. A formação de Olhar tinha Virginie Boutaud nos vocais e Alec Haiat na guitarra. Completavam o time Yann Laouenan nos teclados, Xavier Leblanc no baixo e Daniel Roland na bateria.

Virginie Boutaud deixou o Metrô em 1986, ainda no auge da fama da banda. O próprio Joe Euthanazia regravou “Tudo Pode Mudar” no único álbum solo que lançou, em 1989. A apresentadora Eliana também gravou uma versão, no álbum “Diga Sim”, de 2004. Em 2010, a cantora Jullie regravou a faixa pra trilha sonora de uma temporada de Malhação.

Trinta anos depois do lançamento de Olhar, o Metrô voltou aos palcos pra tocar os hits do álbum de novo. A turnê marcou também os 50 anos do Liceu Pasteur, escola que uniu a banda desde o início. Uma reedição comemorativa de Olhar saiu pela Sony Music, com faixas bônus e gravações ao vivo. No fim das contas, uma música que era só complemento virou parte da memória afetiva de uma geração inteira.

Ficha Técnica

Música: “Tudo Pode Mudar”
Artista: Metrô
Ano de lançamento: 1985
Álbum: Olhar
Desempenho (Chart): 2ª música mais tocada nas rádios do Brasil em 1985, atrás de “We Are the World”; lançada como lado B do single “Ti Ti Ti”
Composição: Joe Euthanazia e Ronaldo Santos

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