Você talvez já tenha ouvido “Skyline Pigeon” sem saber que é uma faixa esquecida do primeiro disco de Elton John. A música nunca saiu como single dele. Anos depois, ela ganhou um peso que ninguém esperava, tocada uma única vez, num funeral que mudou a vida do próprio Elton.
A primeira canção que Elton John e Bernie Taupin realmente amaram
Elton John, ainda chamado de Reginald Dwight, conheceu Bernie Taupin em 1967. Os dois responderam ao mesmo anúncio de uma gravadora em busca de compositores. Taupin escrevia a letra primeiro. Depois passava o texto pra Elton musicar.
No verão de 1968, os dois escreveram “Skyline Pigeon”. Foi a primeira canção da parceria que os deixou realmente empolgados. Até ali, vinham compondo faixas genéricas por encomenda pra artistas de rádio.
Relembre esse clássico da dupla:
Em 1993, Taupin descreveu o momento assim:
“‘Skyline Pigeon’ foi a primeira canção que realmente definiu nosso rumo como compositores.”
A faixa entrou no álbum de estreia, Empty Sky, gravado entre dezembro de 1968 e abril de 1969. É a única música do disco em que só Elton toca, sem nenhum outro músico. Ele usa cravo e órgão, escrevendo a canção como se fosse um hino.
A letra é uma metáfora. Ela descreve um pombo solto de uma gaiola de metal pela mão de alguém, voando livre pelo céu. O tema de prisão, justa ou injusta, atravessa o disco inteiro. Taupin também disse que se inspirou numa torre de sino do século 12 que escalava quando criança, onde ficava horas vendo o pôr do sol.
Antes mesmo de Elton gravar sua versão, dois outros artistas já tinham lançado a mesma música como single. Guy Darrell e Roger Cook colocaram versões concorrentes nas lojas em agosto de 1968, meses antes do disco de Elton sair.
Por que ele tocou essa faixa num funeral que mudou sua vida
Ryan White era um adolescente de Kokomo, Indiana. Hemofílico, contraiu HIV em 1984 através de um tratamento de sangue contaminado. Aos 13 anos, foi barrado da própria escola por causa do diagnóstico de aids.
A família entrou na Justiça e venceu o direito de Ryan voltar às aulas. Mesmo assim, o preconceito na cidade continuou. Em 1987, os White se mudaram pra Cicero, onde o garoto foi recebido de outro jeito na nova escola.
Ryan virou um símbolo nacional na luta contra a aids nos Estados Unidos. Elton John se tornou amigo próximo dele e da mãe, Jeanne White. Chegou a ajudar a família com dinheiro pra casa nova e visitou Ryan no hospital dias antes da morte dele.
Ryan morreu em 8 de abril de 1990, aos 18 anos. Um dia antes, Elton fez uma aparição surpresa no festival Farm Aid e dedicou “Candle in the Wind” ao amigo. No funeral, em 11 de abril, na Second Presbyterian Church de Indianápolis, ele foi um dos carregadores do caixão.
Elton também conduziu os presentes num hino e, sozinho ao piano, tocou “Skyline Pigeon” — a primeira grande canção que ele e Taupin tinham escrito, mais de 20 anos antes. Um trecho da letra depois foi gravado na lápide de Ryan.
Nos seis meses seguintes à morte do amigo, Elton parou de beber e usar drogas. Ele mesmo credita a Ryan a decisão de criar sua fundação de combate à aids, ativa até hoje.
Em 1972, a canção ganhou uma nova gravação, com orquestra no lugar do cravo. Essa versão virou lado B do single “Daniel”, que chegou a Nº 2 nos Estados Unidos e Nº 4 no Reino Unido em 1973 — foi assim que mais gente conheceu “Skyline Pigeon”.
Do mesmo período de ouro de Elton John também vem Bennie and the Jets, puxada num tom completamente diferente dessa faixa intimista.
“Skyline Pigeon” nunca vendeu como single. Mas segue sendo, pra Elton, uma das canções mais importantes que ele já tocou.
Ficha Técnica
Música: “Skyline Pigeon”
Artista: Elton John
Ano de lançamento: 1969 (versão original, álbum Empty Sky); regravação lançada em 1973 como lado B de “Daniel”
Álbum: Empty Sky
Desempenho (Chart): sem posição própria — nunca foi lançada como single; o lado A “Daniel” chegou a Nº 2 nos EUA e Nº 4 no Reino Unido em 1973
Composição: Bernie Taupin (letra) e Elton John (música)
Dica: Eu, Elton John — a autobiografia do próprio Elton, com relatos sobre a amizade com Ryan White e a fundação AIDS Foundation.


