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“True”, do Spandau Ballet: antes dela, a banda usava roupas exageradas e maquiagem pesada

A banda trocou roupas exageradas e maquiagem pesada por ternos e criou o maior hit.

Você já deve ter ouvido o sax de “True” tocando em algum casamento ou trilha de filme. Mas o Spandau Ballet nem sempre soou assim — a banda começou bem diferente.

Como “True” salvou a carreira do Spandau Ballet

O Spandau Ballet nasceu dentro da cena New Romantic de Londres, ligada ao clube Blitz. Nos primeiros discos, a banda usava roupas exageradas, maquiagem pesada e um som eletrônico voltado pra pista de dança. Era um visual e um som feitos sob medida pra aquele público específico.

No começo dos anos 80, esse público de balada já tinha perdido o interesse pela banda. Gary Kemp, guitarrista e compositor principal do grupo, decidiu mudar de direção. Ele passou a se inspirar em soul e R&B, principalmente em Marvin Gaye e Al Green.

A banda gravou o álbum entre outubro e dezembro de 1982, no estúdio Compass Point, em Nassau, nas Bahamas. A produção ficou por conta de Steve Jolley e Tony Swain, a mesma dupla por trás do som pop-R&B do grupo Imagination. As roupas exageradas e a maquiagem pesada deram lugar a ternos bem cortados.

“True” saiu em 15 de abril de 1983, terceiro single do álbum de mesmo nome. Os singles anteriores, “Communication” e “Lifeline”, já indicavam a virada. Mas foi “True” que fechou essa reinvenção de vez.

A paixão nunca assumida que virou letra

Gary Kemp escreveu a música pensando em Clare Grogan, vocalista da banda escocesa Altered Images. Ele nunca teve uma relação com ela — era uma paixão só dele, guardada. Em entrevista ao jornal The Guardian, Kemp resumiu a ideia por trás da faixa:

“É uma canção de amor sobre escrever uma canção de amor.”

Na melodia, a inspiração veio direto de Marvin Gaye, citado pelo próprio nome dentro da letra. Já o vocalise sem palavras que abre o refrão foi copiado de “Dig a Pony”, dos Beatles, onde John Lennon faz um som parecido.

Ouça abaixo o clipe oficial de “True”, com o solo de sax que virou marca registrada da música.

O solo de sax que fecha a música, tocado pelo integrante Steve Norman, virou uma das partes mais reconhecíveis da faixa — tanto que ainda aparece em remixes e covers até hoje.

De “True” ao sample que virou hit nos anos 90

“True” chegou ao Nº 1 no Reino Unido e ficou lá por quatro semanas seguidas, entre abril e maio de 1983. Também topou a parada da Irlanda e chegou a Nº 4 na Billboard Hot 100 dos Estados Unidos — a posição mais alta da banda por lá.

Quase dez anos depois, em 1991, o grupo P.M. Dawn sampleou a base de “True” pra criar “Set Adrift on Memory Bliss”, que foi parar no topo das paradas americanas. Boa parte de quem ouviu esse hit nunca soube de onde ele veio.

Do mesmo universo sofisticado do início dos anos 80 também vem More Than This, de Roxy Music, gravada só um ano antes de “True”.

O Spandau Ballet trocou o visual inteiro pra chegar até aqui. E acabou criando, sem imaginar, o maior hit da própria carreira.

Ficha Técnica

Música: “True”
Artista: Spandau Ballet
Ano de lançamento: 1983 (single em 15 de abril; álbum True lançado em março)
Álbum: True
Desempenho (Chart): Nº 1 no Reino Unido (quatro semanas, abril-maio de 1983) e na Irlanda; Nº 4 na Billboard Hot 100 dos EUA
Composição: Gary Kemp

Vale adquirir o True em fita cassete — o álbum original de 1983, com “True” e outros clássicos como “Gold”. Disponível na Amazon.

Mais de quatro décadas depois, “True” segue tocando em casamentos, festas e trilhas sonoras, e o solo de sax de Steve Norman continua sendo um dos trechos mais reconhecíveis do pop dos anos 80. Para conhecer mais detalhes sobre a composição e a repercussão da faixa, vale a pena conferir o verbete na Wikipédia.

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