“Orinoco Flow”: O sucesso de Enya que usou centenas de vozes

Em 1988, o álbum Watermark apresentou um som que ninguém estava acostumado a ouvir no rádio. “Orinoco Flow” foi gravada em um estúdio chamado Orinoco, em Londres, e o resultado foi fruto de um trabalho em equipe entre a cantora Enya, o produtor Nicky Ryan e a escritora Roma Ryan. O grande segredo dessa gravação foi o jeito de usar a voz de Enya: em vez de usar aparelhos para criar efeitos, ela gravou a própria voz centenas de vezes e o produtor montou tudo uma em cima da outra para parecer um grande coral.

A base da música vem de um teclado muito famoso na época, o Roland D-50. Aquele som que parece “dedilhado” e que guia o ritmo da música inteira saiu desse aparelho. Curiosamente, a música não tem bateria, o que era muito raro para um hit que chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e ficou lá por três semanas seguidas. Esse cuidado em criar um som limpo e diferente também pode ser visto na produção de “This Is the Day” do The The, que usou instrumentos diferentes para se destacar.

Confira o vídeo!

Os nomes escondidos na letra e o vídeo premiado

Muitas pessoas não sabem, mas Enya cita nomes de pessoas reais durante a música. Quando ela diz “Rob Dickins”, está falando do presidente da gravadora que acreditou no trabalho dela. Já o “Ross” mencionado é o engenheiro de som que ajudou a finalizar o disco. O título “Orinoco” serve tanto para o rio na América do Sul quanto para o nome do estúdio de gravação. Essa autoridade em misturar fatos reais com música bem feita ajudou o álbum a vender mais de 11 milhões de cópias.

O clipe de “Orinoco Flow” também foi um sucesso à parte. Ele usou efeitos que faziam as imagens parecerem pinturas saindo da tela, o que combinava muito com o estilo da artista. A gravadora queria que o público visse Enya como uma artista muito dedicada ao estúdio, quase como uma artesã do som. Essa busca pela perfeição na gravação é algo que o Foreigner também fez muito bem em “Waiting for a Girl Like You”, onde cada nota do teclado tinha que estar no lugar certo.

O sucesso estrondoso no Brasil

No Brasil, “Orinoco Flow” virou uma febre. A música tocava o dia todo nas rádios FM e era muito usada em aberturas de programas e trilhas de novelas. O sucesso de Enya provou que uma música calma e bem produzida podia vencer as guitarras barulhentas da época. O legado dessa faixa mostra que, com uma boa ideia e muito trabalho de gravação, é possível criar um clássico que nunca fica velho, assim como aconteceu com as harmonias vocais de “Build” do The Housemartins.

O que a gente cantava

Sail away, sail away, sail away
Navegar, navegar, navegar

From Barents Sea to Tropic of Capricorn
Do Mar de Barents ao Trópico de Capricórnio

From the shores of Tripoli to the Seven Seas
Das margens de Trípoli aos sete mares

Sail away, sail away, sail away
Navegar, navegar, navegar

Carry me on the waves to the lands I’ve never been
Leva-me nas ondas para as terras onde nunca estive

We can steer, we can near with Rob Dickins at the wheel
Podemos pilotar, podemos nos aproximar com Rob Dickins no volante

We can sigh, say goodbye, Ross and his dependency
Podemos suspirar, dizer adeus, Ross e sua dependência

Ficha Técnica

Música: “Orinoco Flow”
Artista: Enya
Composição: Enya e Roma Ryan
Álbum: Watermark
Ano de Lançamento: 1988
Performance: Primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e sucesso global
Gravadora: WEA / Warner Music
Produção: Nicky Ryan

Gostou da curadoria? Compartilhe com quem também vive a música no repeat

Leia também

“Don’t Go Breaking My Heart”: quando Elton John apostou no pop perfeito

Lançada em 1976, “Don’t Go Breaking My Heart” marcou...

“A Little Respect”, do Erasure: o pedido simples que virou hino pop

Lançada em 1988, "A Little Respect" foi o grande...

“Bizarre Love Triangle”, do Frente!: delicadeza e um dos covers mais bonitos dos anos 90

Quando o Frente! decidiu gravar “Bizarre Love Triangle”, a...